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Review Coperni: a criação do espetáculo na Fashion Week de Paris

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A semana de moda de Paris teve início na segunda-feira, dia 26 de setembro, e encerrou nesta quarta-feira, dia 4. O quinto dia desse circuito foi marcado pelo desfile da Coperni, grife fundada pelos designers Sébastien Meyer e Arnaud Vaillant, que teve sua ascensão em 2015 com peças em sua maioria minimalistas e um trabalho manual de altíssima qualidade.

Durante o desfile, a marca protagonizou um dos acontecimentos mais marcantes do evento, quando a modelo Bella Hadid teve seu corpo pintado enquanto o público assistia. Na ocasião, um material líquido composto de algodão e fibra sintética suspenso em uma solução de polímero formou um spray que foi borrifado no corpo da modelo para formar um vestido único.

Foto: Vogue/ Reprodução

O spray utilizado foi desenvolvido pela Fabrican, empresa fundada pelo designer de moda e cientista espanhol Manoel Torres. Os co-fundadores da Coperni trabalharam com Torres e seu time no Centro de Inovação de Bioessência de Londres, pelos últimos seis meses para criar o material que foi manipulado para criar o vestido. O produto químico oferece uma proposta sustentável, podendo ser devolvido para o recipiente mesmo após ser usado. Lilyan Berlim, professora de moda e sustentabilidade, destacou a relação da indústria com essas novas tecnologias. “Esse último espetáculo que a gente viu mostrou realmente o alinhamento deles com as novas tecnologias. Não somente para o mundo da moda, mas a sustentabilidade está em alta em todas as indústrias e não é possível repensar esse caminho.”

Foto: Vogue/ Reprodução

Apesar de muitas pessoas terem tratado como uma exibição totalmente nova, a técnica do spray já havia sido realizada por outras marcas, porém fora dos palcos. Marcia Borges, professora e consultora de moda explicou o motivo de isso não ter sido um problema e fez uma relação com um desfile de Alexander McQueen do ano de 1999. “Não é inovador, mas é impactante. Isso já havia sido feito com pequenos detalhes diferentes em várias outras passarelas. Apesar de não ser inovador, é a obrigação dos desfiles de Paris buscar ser diferente”.

Aclamada por diversos especialistas, Bella vem se tornando um dos grandes ícones da moda moderna e foi extremamente elogiada nas redes sociais durante o desfile. “Todas as supermodelos têm o seu momento, aquele momento icônico que todo mundo vai lembrar, e eu acho que esse foi o momento da Bella.” disse Anna Beatriz, estudante de moda.

A escolha da modelo para o desfile foi certeira e elevou a apresentação a um nível que não era esperado. Bella atualmente traz muitos holofotes para qualquer exibição, e tem uma relevância incontestável nas redes sociais. A “It Girl” do momento atraiu todos os olhares para si mesma e fixa cada vez mais seu nome na indústria da moda.

Os outros detalhes apresentados pela marca, no entanto, ficaram ofuscados pelo espetáculo do vestido de Hadid. Na opinião de muitos especialistas, foi um desfile comercial, sem um conceito ou reflexão envolvida. De acordo com Márcia, o desfile foi elaborado para agradar ao público e converter em venda imediata. “Foi mais do mesmo. Como designer, achei uma coleção ‘ok’; como profissional de marketing, acho que chegou ao objetivo com êxito”, afirmou. 

Foto: Vogue/Reprodução

Ainda que tenha existido um “glamour” em torno do desfile, a Coperni não apresentou algo que se diferencie de roupas muito comerciais. Foi possível observar que eles conseguiram criar o desejo do público de consumir o que viram no desfile, mas isso não serviu para tornar o nome da grife memorável naquele momento. Com exceção do “spray-on dress”, o que se via era algo simples e morno, utilizado geralmente no dia a dia, com uma proposta pouco inovadora. 

Reportagem: Bianca Paes, Lorenna Medeiros, Mateus Gomes e Sarah Soares

Supervisão: Fabiano Cruz e Leo Garfinkel

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