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Boybands: a fórmula para o sucesso

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Você com certeza já ouviu falar do Menudo, Backstreet Boys, N’Sync, One Direction e BTS. Cada uma em sua geração e conquistando público de todo o mundo, as chamadas boybands fazem muito sucesso. Compostas por garotos no final da adolescência e início da fase adulta, os grupos marcam a juventude de muitos e conseguem, por vezes, ser a fórmula mágica para o sucesso. Afinal, o que faz com que ainda haja tanta fama nesses conjuntos que existem há tantas décadas?

O jornalista musical Guilherme Guedes aponta que as boybands têm como função seguir com as tendências de cada época, mas ainda mantendo a mesma estética, coreografias, estilo de música e até mesmo o comportamento dos cantores. Para o comentarista de festivais do Multishow, este universo é algo comercial. “[É importante] entender o funcionamento do mercado, conhecer bem o próprio público e descobrir formas de criar e alimentar essa conexão com os fãs”, declarou. 

A criação dos grupos também costuma ser parecida. Seja por produtores já com o objetivo de criar um sucesso juvenil, seja por programas de calouros, é comprovado que o modelo dá certo há décadas. Os Backstreet Boys, banda norte-americana dos anos 1990, vendeu mais de 130 milhões de cópias de seus nove álbuns e ganhou cerca de 300 prêmios ao longo de seus oito anos de carreira. O mesmo aconteceu com os britânicos da One Direction, que em apenas 5 anos conquistaram mais de 400 premiações, têm mais de 200 milhões de CDs vendidos e suas músicas foram ouvidas cerca de 9 bilhões de vezes no Spotify. 

Uma das consequências desse sucesso todo é o lucro. Segundo um levantamento feito pela Forbes em 2016, ‘N Sync, a banda de Justin Timberlake, era a quinta boyband mais bem paga do mundo na época, com 42,3 milhões de dólares. Os Backstreet Boys ficaram em terceiro, arrecadando U$60 milhões e as britânicas Take That e One Direction, em segundo e primeiro lugares, respectivamente, lucrando U$69 milhões e U$130 milhões. 

Esse sucesso financeiro vem da parte mais importante de todo o cenário dos conjuntos: os fãs. Fazendo parte da adolescência de muitos, as boybands crescem junto com o público e participam ativamente de suas vidas. Clara Modesto tem 19 anos e acompanha os integrantes da One Direction desde a formação da banda, no programa de talentos The X-Factor. Ela conta que é uma relação “estranha”, já que, mesmo sem conhecer os fãs, os ingleses ajudaram-nos com seus problemas pessoais. “Não precisamos conhecê-los pessoalmente para amá-los incondicionalmente e, graças a eles, o fandom se tornou uma família.”

Fandom é uma palavra criada para se referir ao conjunto de fãs de artistas em geral, e costumam ter nomes. Por exemplo, os fãs da One Direction chamam-se “directioners”; dos coreanos do BTS, “armys”. Guilherme Guedes vê as redes sociais como um ambiente que intensifica a relação entre fã e ídolo, principalmente pela maior interação que as plataformas promovem. Antes, essa paixão pelos músicos já existia na vida pré-internet, mas o maior acesso a eles estimula esse sentimento. “Independentemente da época, os fãs de boybands criam uma relação muito próxima e intensa entre eles mesmos”, disse. 

A histeria por parte dos fãs em relação às boybands não é algo passageiro, como foi demonstrado na vinda dos Backstreets Boys ao Brasil em 2015. Mesmo após 19 anos do lançamento de seu primeiro álbum, o grupo norte-americano realizou shows em 5 estados pelo país. Ana Luíza Ulsig, de 36 anos, é fã da banda e acredita que a adoração pelos integrantes se deu pela imaginação romântica, que é ensinada para as adolescentes desde cedo. “O apelo está muito ligado a essas fantasias inconscientes coletivas – a busca do par romântico, essa perfeição em alguém lindo e sarado que te completa”, conta. 

Para Rebeca Canedo, de 18 anos, a origem da admiração pelos integrantes de uma banda é diferente. A fã do grupo sul-coreano, BTS, fala que as músicas são uma espécie de refúgio, que ajudam os seguidores a passarem por momentos sombrios. “Tem um ditado entre o fandom que diz que você sempre conhece o BTS quando mais precisa”. Recentemente, o Guinness Book confirmou que o single do conjunto, Dynamite, foi o primeiro da história a contar com mais de três milhões de espectadores simultâneos durante a estreia. Yuri Souza, especialista em mídia na Universal Music Brasil, aponta o quão interessante é o sucesso dos jovens coreanos e a forma que eles conseguiram quebrar uma barreira cultural. Quem iria imaginar que uma boyband da Coreia do Sul faria um sucesso estrondoso mundialmente?”, analisa.

Para muitos ouvintes, as boybands são consideradas um remédio para a solidão. Com uma nova paixão crescendo em seu coração, as bandas tornam-se uma motivação na vida de seus ouvintes. Entretanto, em alguns casos, essa paixão pode se estender tanto que acaba se tornando algo doentio. Atualmente, não se vê mais casos como esse de fãs verdadeiramente obcecados pelos seus artistas. Isso pode se dar pelo fato de que hoje em dia suas músicas são alcançadas muito mais facilmente como antigamente. A vida do artista fica com menos privacidade através da internet e, de acordo com o Yuri Souza, os fãs medem menos esforços, pois conseguem ouvir sua boyband favorita todos os dias.

Maria de Fátima da Silva tem 50 anos e é fã do Menudo desde sua adolescência. Ela relata que era uma época boa de sua vida e que sente saudades. “[Era um período] com mais inocência, não tinha tanta malícia, era o sonho do príncipe encantado.” No final de abril deste ano, um dos integrantes da boyband, Ray Reyes, veio a falecer, e a causa da morte não foi anunciada. Fátima conta que ficou abalada com o acontecimento, principalmente porque nunca deixou de acompanhar seus ídolos da juventude nas redes sociais. “É um pouco da minha história, do meu passado, da minha adolescência. Eu vivi aquilo intensamente e infelizmente ele se foi”, declarou.

Contudo, a dúvida que fica é: até quando a fórmula “perfeita” das boybands vai durar? O público um dia vai se saturar do mesmo modelo artístico? De acordo com Yuri Souza, é difícil que isso aconteça. Ele conta que o surgimento de uma nova banda, além de aproveitar as características dos modelos anteriores, vem também com a formação de novas tendências que retratam a época e dão um “ar novo” para os artistas. “Cada vez que surge um nome novo, temos um elemento inédito para adicionar nesse “tempero” que a gente conhece de boyband.”

Imagem: Frank Micelotta/ImageDirect | FOUR – divulgação | Igor Miranda | suasletras.com

Reportagem: Laura Tito | Letícia de Lucas | Juliana Ribeiro

Supervisão: Camila Hucs | Gabriela Leonardi 

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