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A popularização das séries não americanas

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Na última década, o mercado de streaming ganhou protagonismo no mundo do entretenimento. Com ele, séries estadunidenses como Breaking Bad e Grey’s Anatomy se popularizaram ainda mais em diversos idiomas e faixas etárias. Porém, nos últimos anos, produções de outras localidades ganharam força, contribuindo para um serviço ainda mais internacionalizado. Obras como La Casa de Papel e Round 6 são exemplos de seriados de línguas não-inglesas que fizeram grande sucesso nas plataformas de entretenimento.

Round 6, lançado internacionalmente em 17 de setembro como “Squid Game”, bateu o recorde como a maior estreia da Netflix. Segundo a empresa, 111 milhões de contas assistiram à série dentro dos 28 primeiros dias de lançamento. Além dela, outras obras fora do eixo estadunidense também tiveram uma relevância muito grande no cenário internacional. A produção espanhola “Elite”, por exemplo, contou com 20 milhões de visualizações nas suas primeiras 4 semanas de exibição. 

A popularidade de algumas produções tem sido tão grande que vem fazendo parte da realidade do povo brasileiro. No Carnaval, por exemplo, pudemos ver pessoas fantasiadas com os uniformes usados pelos personagens da série La Casa de Papel. Mais recentemente, no Halloween, o figurino de Round 6 fez parte da caracterização de algumas pessoas que curtiram a data. Na música, temas de ambas as séries viraram remixes, com batidas de funk.

O período de isolamento social durante a pandemia do COVID-19 rendeu frutos ao streaming. Segundo relatório da Motion Pictures Associations, houve um aumento de 34% na receita, com arrecadação próxima a US$14,3 bilhões de dólares. Na opinião de Camilla Carneiro, fã de muitos desses seriados, isso colaborou para que as séries estrangeiras ganhassem mais atenção e espaço na vida dos espectadores.  “Acho que, pela pandemia, os serviços de streaming tiveram muito mais palco na vida de todos, então as pessoas passaram a assistir a mais programas, até mesmo séries de outros países, por esse momento instável na vida de todos.”

Quando são lançadas, as produções norte-americanas costumam contar com um forte esquema de divulgação, que aumenta ainda mais as possibilidades e os públicos a se alcançar. Camilla acredita que isso instiga as séries de fora desse eixo a buscarem a renovação. “Eles [os produtores] precisam que a produção seja impecável para que instigue o telespectador a querer assistir, já que muitos julgam séries estrangeiras antes mesmo de saber um pouco mais”, diz.

A Índia é a maior produtora cinematográfica do mundo, produzindo, aproximadamente, 1500 filmes por ano, de acordo com o Instituto de Cinema. A cena do cinema local é conhecida nesse meio como Bollywood. A primeira série original da Netflix indiana, “Jogos Sagrados”, fez muito sucesso durante o  ano de 2020, alcançando a nota de 8,6/10 pelo IMDb. A série agora já conta com uma segunda temporada, que narra a história de um policial que tenta capturar um chefe do crime.

O alcance dessas produções é inquestionável. Elas se tornam alvo de devoção por parte de muitas pessoas, que dedicam seu tempo a comentar sobre os novos acontecimentos e gerar engajamento nas redes sociais. A atriz Laila Garin, que participou da série  3%, da Netflix, pôde experimentar um pouco desse carinho quando estava em viagem na França. “Fiquei feliz em saber que a série estava sendo exibida no mundo inteiro. Recebo mensagens de seguidores jovens de diferentes partes do mundo, fui reconhecida uma vez nas ruas de Paris e também aqui no Brasil por vários estrangeiros.”, comenta. 

A repórter Laysa Zanetti, do Splash Uol, destaca que é importante que as plataformas de streaming invistam em um conteúdo além do produzido em língua inglesa, que, muitas vezes, acaba sendo elitizado e exclui grande parte dos espectadores. “É outra forma de se usar a linguagem audiovisual, com personagens que se aproximam do público de formas diferentes”, afirma a repórter. 

Laysa também explica que o investimento em séries estadunidenses é superior aos de outras nacionalidades. Entretanto, o menor investimento não é sinônimo de baixa qualidade. Segundo ela, séries como La Casa de Papel, por exemplo, não tiveram investimentos gigantescos, mas, mesmo assim, conquistaram o grande público. Consequentemente, o retorno financeiro para os países dessas produções de alta qualidade é enorme e uma porta para a valorização do audiovisual. “Com a popularização e a expansão do formato [de streaming] o que eu espero é que os governos locais enxerguem o audiovisual como a potência econômica que ele é.”, diz Zanetti.

 

Reportagem: Beatriz Mattos | Henrique Fontes | Pedro Ribeiro | Mateus Rizzo | Vivian Valente.

Supervisão: Amanda Domicioli | Felipe Roza | Letícia de Lucas.

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