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Educação enfrenta desafios que vão da aprendizagem à valorização dos professores

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A educação está entre os temas que devem estar no centro do debate eleitoral. Para discutir os principais desafios enfrentados pelo setor no Brasil e no estado do Rio de Janeiro, o Portal de Jornalismo da ESPM entrevistou a professora e pesquisadora Ruth Espínola Soriano de Mello, da PUC-Rio e da Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE). A conversa foi conduzida pelas estudantes Mirella Casanova e Maria Eduarda Torres e integra a cobertura especial de eleições do Portal de Jornalismo da ESPM, que reúne uma série de entrevistas sobre temas considerados relevantes para o eleitorado.

Entre os assuntos abordados estão as condições de infraestrutura das escolas, os efeitos da violência sobre a rotina escolar, a desigualdade social e a valorização dos profissionais da educação.

Os resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), referentes a 2025, mostram avanço nas três etapas avaliadas. Na comparação com 2023, o índice passou de 6,0 para 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental; de 5,0 para 5,3 nos anos finais; e de 4,3 para 4,5 no ensino médio, considerando as redes pública e privada. Apesar da melhora, 442 municípios apresentaram Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais do ensino fundamental. Em 2023, eram 1.097 municípios nessa situação.

Para Ruth Espínola, os desafios educacionais não podem ser analisados apenas a partir dos resultados de avaliações. A infraestrutura das escolas, a segurança e as condições sociais dos estudantes também interferem na experiência de aprendizagem.

“A gente tem que lembrar que a realidade da maioria da população brasileira é que 42% das escolas no Brasil hoje não têm saneamento… Como que a gente fala de uma boa educação se, na escola, uma vez por mês pelo menos, a criança tem que se abaixar, fugir do tiro, sair mais cedo?”, questiona a especialista.

A pesquisadora defende que a discussão sobre educação também precisa considerar a presença do poder público e o investimento na área. Segundo ela, garantir condições adequadas para o funcionamento das escolas é parte fundamental da construção de uma educação capaz de ampliar as oportunidades dos estudantes.

As condições de trabalho dos professores

Outro ponto discutido na entrevista foi a situação dos professores. Para Ruth, a valorização dos profissionais precisa envolver não apenas remuneração, mas também tempo adequado para preparação de aulas, correção de atividades e descanso.

“O professor em especial é aquele que é mais mal pago e mais importante naquela janela sensível de aprendizagem, que é o professor nos primeiros anos de escola. Efetivamente é [necessário] botar mais dinheiro no bolso e dar mais tranquilidade pra ele, dar mais horas de descanso e pagar as horas em que ele está corrigindo provas ou preparando aula”, afirma Ruth.

A especialista também chama atenção para a multiplicidade de vínculos profissionais. Segundo ela, muitos docentes precisam dividir a jornada entre diferentes escolas e atividades para compor a renda, o que pode aumentar a carga de trabalho.

A sobrecarga, afirma Ruth, também precisa ser analisada a partir das desigualdades de gênero. Para ela, a realidade de muitas professoras combina as exigências da profissão com responsabilidades domésticas e familiares.

“Em geral, o professor é mulher, ela é de baixa renda, ela vem de família de baixa renda, então ela busca mais qualificação. Então é uma sobrecarga muito grande de trabalho. E de vida”, ressalta ela.

A discussão sobre saúde mental aparece, nesse contexto, associada às condições de trabalho e à pressão enfrentada pelos profissionais. A pesquisadora destaca a necessidade de tratar o tema como parte das políticas voltadas à educação.

Educação no debate eleitoral

A entrevista também abordou o papel do eleitor na escolha de representantes responsáveis pela formulação e execução de políticas públicas. Ruth defende que a busca por informações não deve se restringir ao período eleitoral.

Nesse sentido, acompanhar propostas, verificar informações e observar as decisões tomadas pelos eleitos ao longo do mandato são ferramentas para avaliar a atuação dos representantes públicos.

A educação, portanto, aparece no debate eleitoral relacionada a diferentes dimensões: aprendizagem, infraestrutura, segurança, desigualdade e condições de trabalho. São questões que envolvem diferentes níveis de governo e exigem políticas públicas articuladas.

A entrevista com Ruth Espínola faz parte do Especial ESPM nas Eleições, série do Portal de Jornalismo da ESPM que reúne entrevistas com especialistas sobre temas que estão entre as principais preocupações do eleitorado.

Entrevista: Mirella Casanova e Maria Eduarda Torres
Reportagem: Pedro Pitta
Supervisão: Pollyanna Brêtas