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Representatividade negra no Jornalismo

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O Jornalismo é essencial para a sociedade, tendo como um de seus papéis levar informações que são de interesse público.  No entanto, uma parcela da população, em sua maioria pessoas pretas e pobres, é constantemente apagada da mídia. A falta de representatividade de pessoas negras dentro dos canais de comunicação também é um problema influenciado pelo jornalismo feito de forma elitizada. Quando não tratados de forma estereotipada pelos grandes veículos, estes sofrem com dificuldades dentro e fora das redações.

A forma como pautas sobre grupos minorizados é noticiada influencia diretamente no comportamento da sociedade. De acordo com o Perfil do Jornalista Brasileiro, os negros compõem 55,8% da população, representando um pouco mais da metade dela; porém no jornalismo são minoria, tendo apenas 23% de representantes negros e esta porcentagem é quase inexistente quando o assunto são cargos  de liderança. Dessa forma, as instituições midiáticas corroboram para a manutenção de estruturas de opressão como o racismo.

 Para Pedro Borges, um dos idealizadores do Alma Preta (portal de jornalismo focado na temática racial), é necessário observar a linha editorial dos canais jornalísticos e ter mais jornalistas negros em cargos de liderança para mudar o cenário elitista das redações. “Se você mantém uma linha editorial completamente conservadora e a favor dos interesses das classes dominantes, que no máximo se coloca contra discriminação mas não contra o racismo, você não está fazendo um jornalismo antirracista”, afirma.

Dessa forma, o jornalismo comunitário mostra-se como um instrumento de mobilização social, que representa as comunidades e dá voz à elas. Além disso, esse é um espaço de resistência para  grupos socialmente marginalizados, onde podem valorizar o lugar onde vivem, sem expor apenas a violência. O objetivo é trazer uma nova perspectiva sobre esses locais, falando sobre projetos culturais e sociais, permitindo que a favela participe do processo de produção. 

O Voz das Comunidades é um exemplo de jornalismo comunitário. Melissa Cannabrava, coordenadora de comunicação do Voz, diz perceber que as instituições de educação estão mais dispostas a ouvi-los e isso ajuda na desconstrução da marginalização dos comunicadores da periferia. Além de chamar atenção da grande imprensa para a importância de ter maior diversidade suas equipes.

Na visão de Jéssica Pires, jornalista da Comunicação Institucional da Redes da Maré, a única maneira de criar representações nesses espaços é por quem conhece e vive nas comunidades, ou por quem busca conhecer, o que não se vê na grande mídia. Já Priscilla Rodrigues, comunicadora no Observatório das Favelas, acredita que para a mudança, o jornalismo passaria por algumas etapas. “mapear, conhecer e fortalecer as ações de comunicação que já vem sendo desenvolvidas nos territórios favelados e periféricos.” Ainda ressalta a importância de qualificar as ações realizadas por essa juventude, produzir conteúdo que passe pelos corpos negros e periféricos.

O jornalismo com foco na temática racial e voltado para as periferias têm se mostrado cada vez mais importante para a sociedade. Com ele, os que  representam a maior parcela da população, podem participar de forma mais ativa na cobertura de notícias sobre o ambiente em que vivem e suas diversas características. Ao mostrar o ponto de vista de pessoas pretas e periféricas, é possível desconstruir uma visão marginalizada criada pela mídia tradicional, colaborando para a construção de um jornalismo mais democrático e inclusivo.

Colocando em prática sua importância para o desenvolvimento da sociedade, em outubro de 2019, coletivos e veículos de mídias negras se reuniram no Seminário Genocídios Contemporâneos, “Reagir é Preciso”, em Belo Horizonte, a fim de reivindicar mudanças na imprensa brasileira, e fizeram uma carta-manifesto. Nela consta: A mídia negra brasileira está unida em defesa da vida da população negra e pela reforma do sistema político no Brasil”. Na passagem do manifesto, explicitam o papel da mídia negra, dentre eles, garantir o direito à comunicação para a maior parte da população brasileira e fazer frente às diversas formas de genocídio da população negra, além de vários outros pontos expostos. 

Reportagem: Brenda Barros e Eloah Almeida.

Supervisão: Ana Júlia Oliveira e Patrick Garrido.

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