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Reinvenção teatral na pandemia

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Hoje é comemorado o Dia Mundial do Teatro  para celebrar as peças e os atores. Porém, pela segunda vez, a data não vai transcorrer da forma tradicional. Com a pandemia, os teatros foram fechados e os atores não puderam mais estar em cena. Entres lives e editais, eles encontraram formas de não parar de fazer o que amam.

Para aqueles artistas que sempre tiveram uma agenda cheia, parar tudo não foi fácil. A atriz e cantora Gottsha estava em processo de criação quando tudo começou. Ela ensaiava o espetáculo “Vozes”, de Frederico Reder, há 1 mês e meio quando a pandemia chegava em território brasileiro. “A princípio, a gente achava [que seria] por alguns meses apenas. Estamos até hoje sem voltar para esse projeto.”, conta. 

O ator e dramaturgo Rodrigo França estava para lançar uma peça no início de 2020, em abril, no teatro contêiner Munguzá, em São Paulo, mas seus planos foram interrompidos pelo Covid-19. Sem patrocínio, com passagem aérea comprada para a equipe, cenografia e figurinos pagos, as consequências foram ainda piores. “Faz um ano que esse dinheiro não retornou e que não retornará tão cedo”, lamentou. 

Assim como outras profissões, a sala de casa virou o local de trabalho. Através do computador, muitos atores fizeram audições ou participaram de transmissões ao vivo. E até mesmo, gravaram um seriado de forma totalmente remota, como foi o caso da série “Diário de um Confinado”, de Bruno Mazzeo. 

O mesmo aconteceu com o ator e dublador Cauê Campos, que gravou a distância cenas para o serviço de streaming da Amazon.Nunca imaginei que ia transformar meu quarto para o personagem. Tive que ser meu próprio fotógrafo, diretor de iluminação e som”, relatou.

Atriz e dona da companhia teatral “Um banquete”, Elisa Nunes contou que, no início, ela e sua equipe faziam leituras de peças no Instagram. Porém, a partir de um vídeo que viralizou, eles mandaram o trabalho para um edital do Aldir Blanc, que, após sua aprovação, se tornará um curta-metragem. A leitura e adaptação do clássico de Shakespeare, Romeo e Julieta, foi lançado no dia 18 de março. “Eu nunca pensei que eu, cria do teatro, lançaria minha companhia teatral com um curta-metragem”, disse. 

Rodrigo França ressaltou que, apesar de os atores e atrizes ainda conseguirem se manter no teatro, ainda que virtualmente, é preciso lembrar dos profissionais que não sobem nos palcos fisicamente, como equipe técnica e camareiros. Por isso, ele conseguiu arrecadar mais de 5 toneladas de alimentos para ajudá-los a passar por esse momento de crise. “De uma certa forma, o artista está ruim, ele não está num cenário positivo, mas alguns conseguem se manter virtualmente. Agora, [o corpo técnico], não tem como trabalhar de uma maneira remota, só com a parte desses artistas e da sua generosidade que podem agregar esse trabalho de uma maneira virtual.” 

Apesar das diferenças entre o ambiente virtual e os palcos, a tecnologia tem sido uma grande aliada para profissionais que atuam nesta área. Com a ajuda da Internet, é possível atingir um maior número de espectadores e também permite que o público interaja mais facilmente com os atores. Além disso, o Teatro tem sido uma boa opção para pessoas em solidão neste período de quarentena. 

Mesmo com todas as mudanças, é unanimidade o desejo de voltar aos palcos e reencontrar a plateia. Gottsha concorda que o ambiente virtual foi uma saída, mas que tem diferenças em relação ao tradicional. “Teatro é teatro; palco a gente tem que estar lá sentindo a plateia interagindo, e não virtualmente. Não é a nossa realidade, eu não gosto, e nem gostaria que fosse”, relatou. 

Matéria por: Eloah Almeida | Letícia De Lucas | Luana Maia | Pedro Ribeiro.

Supervisão: Ana Júlia Oliveira e Carol Mie.

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