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Os perigos do uso de medicamentos para emagrecer

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Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de mais de 140 remédios para emagrecer. Antes disso, em outubro de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia derrubado, por 7 votos a 3, uma lei que permitia a venda de quatro medicamentos com essa finalidade: Sibutramina, Anfepramona, Femproporex e Mazindol. No entanto, muitos destes fármacos continuam sendo comercializados por terceiros, mesmo não sendo aprovados pelo órgão. Com isso, a Anvisa declarou em nota que apenas farmácias e drogarias poderão vendê-los, independentemente da categoria do remédio, seja sintético, biológico, dinamizado, entre outros.

A decisão veio logo após a morte da enfermeira Edmara Silva, de 42 anos, vítima de hepatite fulminante. A causa do óbito, de acordo com os profissionais, foi o uso contínuo de um chá de emagrecimento que ela tomou sem prescrição médica. Segundo a prima da vítima, a medicação era feita apenas de ervas naturais e não aparentava ser perigosa.

Não são todos os usuários que apresentam sintomas graves; alguns, mesmo sem prescrição, afirmam não terem tido problemas com esses remédios. A autônoma Ingrid Borges, de 25 anos, começou a usar o “lipostrong” (tratamento fitoterápico composto por ervas), por indicação de perfis no Instagram, e em dois meses perdeu 40 quilos. Segundo ela, a decisão de parar foi somente porque já havia chegado no seu objetivo. 

Apesar de existirem remédios prescritos por especialistas, a automedicação, prática feita por 77% dos brasileiros segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), é outro perigo para a saúde. Normalmente vendidos como naturais, o uso constante e excessivo destes fármacos pode causar danos aos rins e fígado, além de problemas psicológicos como dependência química, mudanças de humor, entre outros. 

Em alguns casos, esse tipo de tratamento é realmente indicado, como reforça a nutricionista: “Medicamentos para perda de peso são sim uma possibilidade, um recurso para quem realmente precisa. Se esse indivíduo está correndo risco de saúde, já tentou outros métodos e ainda assim não consegue perder peso, eles podem ser necessários”. 

Frota também afirmou que há muitos profissionais que vêem a área da saúde como uma forma de gerar receita, não se importando com a vitalidade de seus pacientes. Essas pessoas muitas vezes acabam receitando medicamentos ou dietas não condizentes com o estilo de vida dos pacientes.

A dieta é algo presente no cotidiano do brasileiro. Afinal, há inúmeros tipos de regimes que ficam em ênfase durante o ano, como a “dieta da lua” e da “sopa”; porém, muitos desses métodos não são indicados por especialistas. Principalmente por não serem duráveis e por exporem o corpo a uma ciclagem de peso, na qual a perda e o ganho de peso constantes colocam o bem-estar da pessoa em risco. A nutricionista formada pela UFF, Juliana Frota, afirma: “Ao mesmo tempo que novas dietas vão surgindo na comunidade científica, a obesidade e as doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, aumentam também”. 

A ideia do emagrecimento está diretamente relacionada à questão estética, mas a sociedade também a liga de forma disfuncional à saúde, o que pode ser prejudicial psicologicamente para pessoas acima do peso. Influenciadoras como Alexandra Gurgel, fundadora do Movimento Corpo Livre, têm levantado questões acerca dos padrões de beleza impostos indiretamente. 

A questão é que a prioridade das pessoas deveria ser a saúde e não a estética. Os meios para atingi-la devem sempre ser acompanhados por profissionais, sejam nutricionistas, endocrinologistas ou psicólogos. Juliana Frota completa: “A gente vive numa sociedade que supervaloriza um corpo magro ou “fitness” e vende isso como sinônimo de saúde”. 

Reportagem: Julia de Paulo, Lucas Luciano e Vitor da Cunha Miguel
Supervisão: Gabriela Leonardi e Mateus Rizzo

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