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O movimento sneakerhead: O que é?

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Com a pandemia, as mídias sociais se fortaleceram como uma porta de entrada para os mais variados conteúdos. No meio de tanta visibilidade, a indústria dos tênis tem roubado a cena e se destacado dentro das tendências, ultrapassando a barreira dos esportistas. Em 2020, esse mercado foi avaliado em U$79 bilhões, e as projeções são de mais crescimento nos próximos anos.

O fenômeno dos tênis cresceu na última década, mas existe desde 1970, por meio da cultura do hip hop e o surgimento de marcas de roupas esportivas. Em 1980, a cultura “sneakerhead”, de consumidores de tênis, começou a fazer sucesso devido à febre no lançamento do tênis Air Jordan 1, da Nike em parceria com o jogador de basquete Michael Jordan. Vendidos a 65 dólares na época, os sapatos se tornaram símbolo desse movimento dos amantes de tênis. Recentemente, a terceira fase de popularidade desse segmento se consolidou devido ao marketing presente nas redes sociais e ao movimento de revenda.

Segundo relatório da Grand View Research Inc, empresa especializada em pesquisas de mercado, é esperado que esse cenário movimente cerca de 95 bilhões de dólares até 2025. Esse valor é baseado na popularização desse novo comércio, em que muitas pessoas passaram a adquirir o costume de consumir mais calçados. Lucas Pig, colecionador de tênis, disse que antigamente comprava mensalmente mais de três linhas diferentes. E que atualmente, ele tenta se controlar, mas continua adquirindo pelo menos uma por mês.

Com tamanha movimentação de capital nesse mercado, novos tipos de vendedores e investidores surgiram com o intuito de lucrar com a venda de tênis. João Medeiros, dono da loja The Search Snkrs no Instagram, já era colecionador há anos, mas aproveitou a febre dos sneakers nos últimos anos para criar sua empresa. “Um dos principais fatores que me deixou bem seguro para entrar nesse mercado foi estar no meio desde 2015. Vi muitos pares se valorizarem em um piscar de olhos. Então peguei um padrão e consegui reconhecer quais seriam as cores, o que mais saía para o público”, disse.

Diante do aumento da demanda, o valor de compra desses pares tem se tornado cada vez mais elevados e disputados pelos sneakerheads. Esse fenômeno é chamado “hype” e tende a deixar o comércio cada vez mais lucrativo. Guilherme Bento, colecionador, comenta sobre os efeitos e consequências desse fato: “O hype acaba influenciando demais no mercado, as pessoas tendem a consumir aquilo que está em alta no momento, isso é natural. No entanto, existem algumas coisas que o dinheiro não é capaz de comprar, estilo e autenticidade andam na contramão.”

Por conta da pandemia, os hábitos de consumo ao redor do mundo mudaram, e o Brasil viu sua moeda ser desvalorizada por consequência da crise. Com o dólar bem mais caro em relação ao real, os preços de produtos importados subiram consideravelmente no país. Lucas conta que, infelizmente, todo esse aumento foi repassado ao consumidor final. “Saímos de um cenário em 2019 para outro em 2021, alguns modelos de tênis chegaram a subir mais de 100% no seu preço”, finaliza Pig.

No entanto, João Medeiros explica que muitos comerciantes adentraram o mercado visando apenas o lucro, sem ter noção das dificuldades que a área envolve. “Muita gente vem só pelo dinheiro por aparentar ser algo fácil. É necessário se desdobrar para conseguir certos pares. Acredito que daqui a alguns anos, só vão ficar aqueles que têm uma paixão por toda a história envolvida em cada silhueta”, conclui.

 

Créditos das fotos: @sneakersdopig no Instagram 

Reportagem: Beatriz Chagas, Clara Glitz, João Pedro Fonseca, Lucas Guimarães, Maria Clara Patrício e Mateus Rizzo

Produção: Beatriz Chagas, Clara Glitz, Filipe Fernandes, Guilherme Rezende, João Manoel, João Pedro Fonseca, Lucas Guimarães, Maria Clara Patrício e Marina Leite

Supervisão: Gabriela Leonardi e Ricardo Ferro

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