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Giorgia Meloni e a ascensão da extrema-direita na Itália

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O “Fratelli d’Italia” (Irmãos da Itália), coalizão política pós-fascista, venceu as eleições legislativas do país com mais de 40% dos votos, no último domingo (25). Liderado por Giorgia Meloni, o partido cresceu nos últimos anos e hoje é a maior força política no cenário eleitoral italiano. Com a provável posse de Meloni como primeira-ministra, a terceira maior economia da União Europeia será governada pela extrema-direita, o que não acontece desde 1945, além de fazer da presidente do grupo conservador a primeira mulher a governar a Itália.

Assumindo o lema “Deus, pátria e família”, o partido se consolidou como o principal do país quando foi um dos únicos que se posicionou contra o último governo, gerido por Mario Draghi. O bloco ganhou popularidade com seu discurso que promove a manutenção da “identidade italiana”, aliado à insatisfação do povo devido à inflação, restrições da pandemia e guerras. Comparando com as eleições legislativas de 2018, a ascensão se torna evidente; 4% dos votos em Giorgia contra mais de 40% na atual votação.

Ainda antes da confirmação da vitória do partido de Meloni, diversos políticos de direita, como Eduardo Bolsonaro, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e Marine le Pen, ultradireitista francesa, comemoraram, destacando a escolha do povo italiano pelo patriotismo e soberania.

Com a promessa de um governo focado em unir o povo italiano, o Irmãos da Itália também diz ser importante frear a entrada descontrolada de imigrantes no país, além de combater movimentos gays, teorias de gênero e o declínio econômico, social e moral da Itália.

Por mais que a vitória de um partido pós-fascista seja surpreendente para muitos, o mestre e doutorando em Ciência Política Sergio Schargel afirma que a maior surpresa não é essa, mas sim a vitória da coalizão Fratelli d’Italia. “A surpresa não é a vitória de uma primeira-ministra de extrema-direita, seja ela pós-fascista, fascista, neofascista, populista, reacionária, ou qualquer outro conceito que se queira usar. Há anos a Itália era uma das principais candidatas a ter um chefe de governo do tipo. A surpresa é ter sido o Irmãos da Itália, que até então não estava entre as principais forças políticas do país”, diz o cientista político.

Essa previsibilidade em relação à vitória da extrema-direita pode ser explicada, em partes, pela ausência de um processo de desfascitização no país. “Ao contrário da Alemanha, que sofreu um processo enorme de desnazificação, a Itália nunca fez as pazes com o seu passado fascista. O fascismo nunca desapareceu por completo do debate público no país, ainda que tenha se tornado uma força secundária, permaneceu na política, enrustido, velado, às vezes explícito quando o tempo se mostrava propício”, completa Schargel.

É inevitável comparar o momento atual com o que a Itália viveu quando governada por Benito Mussolini, ditador que já foi elogiado por Giorgia Meloni. “Não creio que veremos um novo regime fascista na Itália, o contexto geopolítico é outro. Mas há diferença entre um movimento fascista e um regime ou Estado fascistas”, conclui Sergio. Apesar da consolidação de um regime parecer distante, é importante destacar que o autoritarismo de Mussolini aumentou com o tempo, deixando cada vez mais espaços para os movimentos fascistas na época.

Hoje, é difícil de prever como será o governo Meloni. No entanto, o fato de uma das maiores economias da Europa ter elegido uma representante pós-fascista torna a situação democraticamente preocupante. O que resta à população que se opõe à extrema-direita é justamente torcer para que a democracia e a liberdade individual sejam mantidas.

Reportagem: Bruno Giovanni

Supervisão: Anna Julia Paixão, Fabiano Cruz e Gabriel Rechenioti

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