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Doping: o vilão do jogo

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As proibições e restrições ao uso de certas substâncias bioquímicas no mundo dos esportes são uma realidade presente no cotidiano dos atletas profissionais das mais diversas modalidades. A fim de garantir disputas mais competitivas e evitar trapaças, os exames antidoping (ou antidopagem) pretendem identificar os casos onde o aumento de rendimento dos esportistas ocorre de maneira ilícita. 

Durante os Jogos Olímpicos de Tóquio a maioria dos atletas competiram sob a bandeira de seus países. A Rússia foi a principal exceção, já que foi banida das Olimpíadas pela Agência Internacional Antidoping, WADA, em 2019. A penalidade foi aplicada após as investigações de denúncias de doping e alteração de resultados para encobrir os casos por parte dos russos. Como alternativa, os atletas não envolvidos no antidoping utilizaram o comitê olímpico nacional do país para conseguirem participar da nova edição. 

Os casos de doping na Rússia são um assunto recorrente em competições esportivas. Antes da criação da WADA, em 1999, o país já esteve envolvido com o uso de substâncias controversas em eventos olímpicos. Os russos tiveram 34 medalhas olímpicas retiradas por conta de escândalos de doping. A nação lidera o ranking neste quesito com certa vantagem, enquanto Ucrânia e Bielorrússia, vice-colocadas, perderam 11.

Segundo o professor Alan Camargo, doutor em saúde coletiva pela UFRJ, um dos motivos da utilização dessas drogas se dá muito por conta da busca por melhor desempenho: “Em primeiro lugar, a ‘pressão psicossocial’ das instituições esportivas, treinadores, familiares, mídia e sociedade, leva o atleta buscar contínuas performances e recordes, e não somente conseguir atingir um status dentro da sua modalidade, como também conquistar recursos financeiros”.

Apesar da preocupação com a melhora da performance, há também uma apreensão dos atletas em serem pegos no antidoping. O zagueiro Ricardo Graça, jogador do Vasco da Gama, demonstra um cuidado pessoal minucioso com relação ao uso de medicamentos. “A regulamentação é bem rigorosa e com certeza já afetou um pouco minha vida. Várias vezes já deixei de tomar remédios, pois eu não sabia se podia cair no doping”, disse. O atleta de 24 anos ainda enfatizou a busca pelo respaldo do departamento médico do clube antes de qualquer atitude nessa questão. 

A respeito de possíveis medos e inseguranças acerca de uma eventual punição, o medalhista olímpico cita como exemplo uma situação presente em sua memória: “Teve até um caso de um clube famoso, que o nutricionista mandou os atletas tomarem uns suplementos manipulados e foram pegos no exame”.

Um caso de doping que remete ao exemplo de Ricardo Graça na entrevista, ocorreu em 2007 com o jogador de futebol Dodô, que na época atuava pelo Botafogo. Naquela ocasião, o atleta foi pego no exame após vitória sobre o Vasco, no dia 14 de junho. O caso foi controverso, já que a substância encontrada, femproporex, usada para perda de peso, era fornecida por uma farmácia de manipulação contratada pelo clube, e posteriormente repassada aos atletas antes do jogo.

Dodô foi absolvido após cumprimento de uma parte da pena instituída pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), porém, ao tomar conhecimento do caso, a FIFA pediu uma revisão e levou a situação à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Após novo julgamento, foi determinado que o atleta deveria cumprir 2 anos de suspensão.

Em paralelo com a questão vivida por Dodô, o jogador do Vasco da Gama ao mesmo tempo que concorda com a realização dos exames antidoping e eventuais punições, deixa claro seu posicionamento diante de situações como a abordada anteriormente: “Nesses casos de que o atleta não sabia, não fez com intenção errada e for provado isso, acho que teria que ter a absolvição”. Vale ressaltar que o assunto ainda promove muitas discussões, já que apesar do jogador apresentar tal opinião, o entendimento jurídico e legislativo é divergente.

 

Equipe: Fabiano Cruz | Felipe Rinaldi | Filipe Bias Fernandes | Gabriel Mota | Guilherme Dias | Henrique Rezende | Isys Bueno | João Pedro Abdo | Lucas Moll | Thais Soares

Supervisão: Brenda Barros | Felipe Roza | Juliana Ribeiro 

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