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A segregação enfrentada pelos concurseiros no Brasil

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A realização de provas de concurso público é uma alternativa para milhões de brasileiros que sonham com a estabilidade financeira. Em 2022, de acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA), estão previstas mais de 43 mil vagas disponíveis em 180 editais de provas que serão aplicadas. No entanto, os concurseiros sofrem com obstáculos de segregação, que se encontram nos altos investimentos financeiros necessários para a realização das provas, nos códigos de vestimenta formal obrigatórios e no cancelamento dos exames sem aviso prévio.

O cancelamento dos concursos públicos é um ponto de muito debate entre os participantes. Marcos Gomes Lima administra o canal MGL Concursos, que possui 38 mil inscritos no Youtube e produz conteúdo especializado no assunto. Ele, que é concursado, conta que, recentemente, duas provas para delegado foram canceladas no dia da aplicação, sem qualquer orientação ou aviso prévio aos candidatos. 

Os exames, que aconteceriam nos estados do Paraná e do Rio de Janeiro, não foram realizados pela falta de estruturas e condições sanitárias nos locais do teste. As bancas organizadoras, além de  não orientarem com antecedência, não prestaram qualquer auxílio aos participantes. “Não é fornecido nenhum apoio ao candidato, pelo contrário, cada um tem que arcar com as suas despesas e danos, tanto materiais quanto morais”, completou Marcos.

Por isso, ele defende que os candidatos que se sentirem lesados pelo cancelamento do exame busquem alternativas para reivindicarem os seus direitos. Além da devolução do valor da inscrição pela banca examinadora, é possível procurar a Justiça Federal para conseguir o ressarcimento pelas despesas materiais e morais provocadas pelo imprevisto.

Outro obstáculo enfrentado pelos concurseiros é o código de vestimenta imposto por algumas bancas. Mesmo que não exista uma lei que defina isso, em alguns concursos é exigida a utilização de roupas formais durante a realização da prova. Maria Eduarda Gagliardi é advogada e participou de um processo seletivo em abril deste ano, voltado para o Ministério Público de São Paulo. Ela conta que no edital constava a obrigatoriedade de vestimentas de acordo com a dignidade de práticas forenses.

A estudante de Direito Camile Dufles pretende seguir uma carreira voltada ao setor público depois de formada. Ela enxerga a exigência desse tipo de vestuário como uma regra desnecessária, visto que além de atrapalhar no conforto durante a realização do exame, ela acaba sendo prejudicial para os candidatos de menor poder aquisitivo: “Nem todos têm condições de comprar essas roupas”, completou.

De acordo com um levantamento realizado pela Gran Cursos Online, site especializado em cursos preparatórios, 60% dos concurseiros brasileiros estão desempregados. Mesmo assim, os candidatos de baixo poder aquisitivo enfrentam obstáculos que tornam os concursos públicos uma área de segregação, exclusão e difícil acesso.

Reportagem: Luciana Campos e Lorenna Medeiros

Supervisão: João Pedro Fonseca e Clara Glitz

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