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A progressão do desmatamento na Amazônia e seus principais motivos

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A floresta Amazônica é a mais importante do mundo e representa um terço das florestas tropicais do planeta. A partir disso, ela se torna indispensável para a prestação de serviços ecológicos, como garantir a qualidade do solo e dos estoques de água doce e proteger a biodiversidade. Entre agosto de 2021 e julho de 2022, a região sofreu com o maior índice de desmatamento dos últimos 15 anos. De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), foram derrubados 10.781 km2 de floresta.

No dia 22 de julho, a OMM (Organização Meteorológica Mundial) divulgou um relatório sobre o estado do clima na América Latina, na qual se falava que as taxas de desmatamento foram as mais altas desde 2009. O documento ainda mostrou que a devastação da Floresta Amazônica dobrou em relação à média de 2009 a 2018. Além disso, em 2021, a perda de vegetação subiu 22% comparado a 2020.

Apesar disso tudo, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) publicados na última sexta-feira (12), ocorreu uma redução de 2% no índice de desmatamento do bioma, em relação ao ano passado. No entanto, a situação não é menos preocupante. O presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, afirmou que o valor mensal pontual de 2% de diminuição do desmatamento, depois da série histórica de aumentos ao longo dos últimos anos, não é um indicador de que a criminalidade está cessando. Ainda sobre o assunto, ele disse: “Deveríamos estar pensando em recomposição da massa florestal e não podemos nos apegar a indicadores que não representem a sustentabilidade para o ecossistema.”

Os incêndios na floresta Amazônica também contribuem para a sua devastação e tornam a situação ainda mais alarmante. Em junho, o número de focos de incêndio atingiu o nível mais alto em 15 anos, mesmo tendo em vista que em agosto e setembro essa problemática tende a se intensificar por conta do auge da estação seca na Amazônia. Rhuan Sartore, pesquisador em conservação da natureza na região amazônica pela UFRJ e mestrando geografia na mesma, afirma que: “Quando a floresta amazônica queima, possui alguns impactos, como a perda na biodiversidade, pois é a floresta mais biodiversa no mundo. Outro ponto, é a perda de árvores, pois elas deixam de prestar o seu papel ecossistêmico, a principal deles a evapotranspiração, que dá origem a rios voadores, e ajudam a abastecer o Brasil e América Latina com chuvas.”

De acordo com Bocuhy, o atual governo federal  não contribuiu para uma política de fiscalização, e adotou um discurso anti ambiental, assim estimulando práticas de crime contra o meio-ambiente. Ele ainda acrescenta que o legislativo federal, agentes econômicos e setores do agronegócio, que estão juntos na base do governo, contribuíram para o desmatamento.  

Segundo Sartore, uma boa alternativa de diminuir o desmatamento, é retomar os investimentos nas principais áreas de fiscalização e controle, como IBAMA, ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e Ministério do Meio-Ambiente, além de restabelecer o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) independente e sem aparelhamentos do governo federal. 

 

Painel do Orçamento (2021) – Organização: Rhuan Sartore

 

Para reduzir o desflorestamento, Bocuhy afirma que é necessário um processo integrado e intersetorial que envolva as esferas de competência federal, estadual e municipal e os setores designados especialmente para a fiscalização das áreas de alerta. Referindo-se a organizações como o próprio Ibama, a Polícia Federal e agentes governamentais da união, ocorrendo uma forte incrementação dos meios que possibilitam a realização desta fiscalização. Além disso, ele declara ser necessário reestruturar o processo de penalização financeira e aumentar a eficiência para o cumprimento das sentenças judiciais, caso ocorram infrações, a fim de garantir que as áreas desmatadas tenham a possibilidade de uma recomposição efetiva.

Reportagem: Júlia Vianna, Lucas Moll e Vitor da Cunha Miguel. 

Supervisão: Anna Julia Paixão, Fabiano Cruz, Leo Garfinkel e Maria Eduarda Martinez.

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