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Esporte Rio Innovation Week

Gigantes de aço na vida real: o mundo nichado da luta de robôs

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O filme de ficção científica Gigantes de Aço, de 2011, foi uma febre no ano em que foi lançado. Em um mundo com tecnologia extremamente avançada, um novo esporte foi criado: o combate de robôs. O que muitas pessoas não sabem é que essa modalidade existe na vida real e tem muitos fãs brasileiros. Uma das diferenças é o tamanho dos robôs – na vida real, são menores e menos ágeis. 

Recentemente, o Robotics Challenge foi organizado pela empresa brasileira Galileu Robotics durante a Rio Innovation Week entre os dias 4 e 7 de Agosto. Na prática, os robôs podem se dividir em quatro categorias de peso: Fairyweight (150g), Antweight (454g), Cupim (454g) e Beetleweight (1.36kg). A ideia da pesagem segue a lógica de outros esportes de combate: permitir uma luta de igual para igual. As categorias Antweight e Cupim compartilham o mesmo peso de 454 gramas. A grande diferença é que a primeira não possui restrição de materiais, enquanto a Cupim é focada em utilização de madeira e plástico.

Mini Maloney (1,36kg), Micro Maloney (454g), Micro Touro (454g), Pico Maloney (150g) e Pico Touro (150g). Robôs da equipe RioBotz, vencedora de diversas categorias da Robotics Challenge de 2026 – Foto disponibilizada pela equipe RioBotz.

“Você não encontra muitos lugares com batalhas de robôs. Qualquer evento que abre as portas para a robótica é bem-vindo e é gratificante de presenciar”, avalia o estudante Júlio Cordeiro, de 22 anos, narrador do evento. 

Outras categorias também integram a luta de acordo com os desafios impostos às máquinas, como o Sumô, uma espécie de embate que ocorre numa pequena tábua de madeira no chão. Dois robôs são posicionados e precisam empurrar o outro para fora da arena. 

As batalhas de robôs costumam ganhar mais divulgação nos jornais das faculdades às quais as equipes pertencem. Por isso, alguns participantes sentem falta de mais visibilidade por parte da mídia. Não é apenas um anseio por fama, mas, sim, uma questão de financiamento. Cada robô tende a custar mais de R$500 reais e, a cada luta, uma peça crucial da engrenagem pode quebrar. 

“Ao atrair mais gente, você enriquece o público que gosta das batalhas e ajuda as equipes a alcançarem patrocínios. A visibilidade [do esporte] é boa, mas ainda pode melhorar aqui no Brasil”, comenta Rafael Drubi, de 20 anos, coordenador de mecânica da equipe RioBotz, da PUC-Rio.

O desejo pelo conhecimento e a paixão pela robótica são os fatores principais que guiam os jovens competidores. Das 12 equipes cadastradas que participaram do evento, dez são de universidades. Algumas dessas são a WolfBotz, do Cefet; a RioBotz, da PUC-Rio; a UERJBotz, da Uerj; a Minerva, da UFRJ; e a GoytaBorgs, do IFF.

Eu acredito que a competição dá sentido ao que o aluno aprende. Programar deixa de ser simplesmente escrever um código, e construir um robô deixa de ser apenas montar peças. Há alunos que se encantam pela programação, outros pela mecânica, outros pelo design e assim por diante”, avalia a professora Rosângela Nezi, fundadora da equipe FrancoDroid, do Colégio Franco-Brasileiro. Para ela, o mundo dos robôs é uma porta de entrada para mobilizar os interesses acadêmicos: “O aluno chega dizendo ‘eu não sei nada de robótica’ e, depois de vivenciar esse ambiente, começa a se imaginar estudando engenharia, computação ou tecnologia”. 

 

Reportagem: Pedro Pitta

Supervisão: Renata Fontanetto e Pollyana Bretas 

Crédito da foto de capa: Mario Norris / RoboCore