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Crítica: Obsessão (2026)

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Uma das discussões que tomou a internet em 2024 foi uma pergunta muito curiosa: você prefere ficar preso em uma floresta com um homem ou com um urso? Essa trend que ganhou força no Tik Tok é conhecida também como #manorbear em inglês. 

Isso gerou grandes debates sobre a insegurança da mulher na atualidade, levantando diversas opiniões. Pensando no filme “Obsessão”, dirigido por Curry Barker e lançado em 2026, essa trend pode se relacionar de forma interessante. 

O longa tem como protagonista um jovem chamado Bear, o típico “cara legal” que desde sempre foi apaixonado pela amiga e colega de trabalho Nikki, uma garota simpática e alegre. O problema é que Bear nunca teve coragem de revelar seus sentimentos a ela. Ao ir numa loja esotérica comprar um presente para a personagem de Inde Navarrete, ele encontra o Salgueiro do Desejo. O objeto é capaz de realizar qualquer anseio uma única vez. 

Em um momento desesperado por possivelmente ter perdido uma das últimas oportunidades de dizer a Nikki o que sente, Bear, interpretado por Michael Jonhston, faz o seu pedido. Deseja que sua amiga o ame mais do que qualquer coisa no mundo e, a partir disso, os comportamentos de Nikki mudam totalmente. 

A garota que antes saía com os amigos agora anda apenas com ele, tem os mesmos hobbies, gostos e faz de tudo para agradá-lo. Até mesmo coisas bizarras, como desenterrar o gatinho falecido dele e o entregar dentro de um sanduíche de almoço para o “amado”. 

O diretor e criador Curry Barker. Foto: Acervo do IMDb

O filme mistura terror psicológico de um jeito cômico e bateu grandes recordes no mundo do cinema. Foi produzido com U$750 mil dólares, um valor considerado pequeno, e já arrecadou cerca de U$500 milhões de dólares na bilheteria mundial. 

O diretor e criador Curry Barker está acostumado a realizar produções de baixo orçamento. Ele que produzia curtas de humor em seu canal do YouTube se juntou ao colega e comediante Cooper Tomlinson, que também integra o elenco de Obsessão. Juntos criaram o longa de terror Milk&Serial, disponível no YouTube de forma gratuita.

Obsessão aborda uma possessão de forma diferente do que normalmente se vê em filmes de terror psicológico. Em vez da personagem Nikki estar dominada por algum tipo de entidade, ela quase parece estar refém de suas próprias vontades e desejos, sobre os quais não tem controle algum. Os momentos em que a personagem aparentemente sai da possessão, e Nikki volta à consciência, são agonizantes. 

Durante a história, existe uma construção de como o personagem Bear é dúbio. Inicialmente apresentado como alguém “tranquilo”, ele vai mudando ao longo da trama. Isso faz o público refletir se ele realmente pode ser a mesma pessoa que aparece no início do longa. O diretor afirmou que não gosta de determinar o que o público sente e, sim, de apresentar a situação e deixar que decida.

Foto: Cortesia da Focus Features para o IMDb

Outro destaque da obra é o som. Em algumas cenas, a voz de Nikki em ataques de ciúmes se distorce de uma forma peculiar, trazendo níveis de desconforto. A trilha sonora acompanha e complementa a experiência, criando tensão para momentos-chave. 

Tudo isso acompanhado de movimentos bizarros realizados pela atriz Inde Navarrete, deixando claro como a personagem estava apavorada e, ao mesmo tempo, dominada pelo que Bear desejou. 

Em vez de tomar um lado, a narrativa traz uma provocação e oferece à audiência a possibilidade de avaliar quem, ou o quê, é o perigo dessa dinâmica. Afinal, quem é o homem e quem é o urso?

Confira o trailer:

Crítica: Mirella Casanova

Supervisão: Renata Fontanetto

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