“PEDAGIOS Y CARONAS”: Tangolo Mangos mostram o poder dos encontros e de se manter em movimento no novo disco
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Qual é o resultado de 20 mil quilômetros rodados, 35 cidades e 48 shows em um ano?
Para alguns artistas, seria a necessidade de um longo período sabático, mas para Tangolo Mangos é o novo disco “PEDAGIOS Y CARONAS”. O trabalho é forjado pelo inexplicável hipnotismo inspirador das BRs, que se tornaram quase casa para os Mangos em 2025. No total, a banda de Salvador passou por 14 estados brasileiros e 3 países da Europa, tocando composições de sua discografia até então e dando vida às músicas que integram o atual lançamento. “O fator principal para esse disco foi justamente ver a reação das pessoas e estar sempre tocando junto”, afirma Felipe Vaqueiro (voz e guitarra), que viveu a estrada com Bruno “Neca” Fechine (percussão e voz), João Antônio Dourado (bateria), João Denovaro (baixo e voz) e Theo Kiono (guitarra)
“PEDAGIOS Y CARONAS” é sonoramente apressado, como quem tenta brigar com o Waze para chegar na hora, e esteticamente exploratório, tal qual chegar em uma nova cidade onde tudo é descoberta. Para Vaqueiro: “As letras em si não necessariamente falam de deslocamento, mas os fluxos e arranjos levam para um lugar de ação. As composições são de momentos muito diferentes, mas muitas influências surgiram de trocas. Se não tivéssemos rodado tanto, o resultado seria bem diferente”. As gravações foram realizadas no Estúdio Ori em Salvador em março de 2025 com a engenharia de som de Apu Tude e Victor Vaughan, além de overdubs e acréscimos captados em home studios de colegas pelo caminho. O resultado é um fonograma potente que busca encapsular a energia das apresentações ao vivo.
Logo no riff de abertura em “ARMADURA ARMADILHA” (digno de trilhas sonoras de videogames do ano 2000) a força sônica das músicas do álbum toma conta do ambiente e dá o tom para o disco. Logo em seguida “EU E VOCÊ (SKARÊNCIA)” traduz a afobação sentimental em Ska, dando luz a sinergia e ao entrosamento do conjunto. “GERAIS DO VIEIRA” e “GERAIS DO RIO PRETO” se complementam como uma odisséia stoner de rock camaleônico (termo usado pelo próprio grupo em relação ao seu estilo), pintando uma paisagem expressionista destas localidades da Bahia no Vale do Pati. Em “AÇAFRÃO”, a rapidez é substituída pelos momentos de paz, “Ao cair do Sol, deitar e adormecer. Acordar, comer, uma fruta qualquer.”
Para Tangolo Mangos, o disco simboliza um contato com novas formas de produção, com participações de outras pessoas em diferentes estágios do processo ao invés de uma concentração de tarefas entre os integrantes do grupo. “É um momento de reflexão sobre isso, passar a trabalhar de outras maneiras, colaborar com outras pessoas e chegar a resultados até mais legais do que conseguiríamos sozinhos.”
Redação: Luca Alexandre



