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O novo coronavírus teve seu primeiro caso registrado em Wuhan, cidade conhecida por ser a capital da província da China central. A doença foi descoberta no final de dezembro de 2019. No dia 11 de janeiro houve a confirmação da primeira vítima fatal, desde então, o país entrou em alerta. Atualmente, há cerca de 83.402 casos confirmados, 3.346 mortes e 78.370 recuperados no país. O vírus continua se espalhando ao redor do mundo, porém o cenário entre os chineses já é mais otimista. 

 

A brasileira Giovanna Martins, de 16 anos, se mudou para Xangai, uma das cidades mais populosas da China, em dezembro do ano passado junto com seus pais e o irmão mais velho, após uma proposta de trabalho recebida pelo pai. Ela está estudando em uma escola internacional, especializada para receber apenas alunos estrangeiros que estão passando por esse processo de adaptação. Giovanna contou sobre como foi se ajustar ao novo país e cultura em meio a fase inicial do vírus.

 

Portal: Como a população lidou com a descoberta da doença, no início de janeiro?

 

Giovanna: No início foi tranquilo, porque ainda não sabíamos que era tão grave. Pelo que eu entendi, caso o pessoal de Wuhan saísse sem máscara, poderiam ser presos ou ia levariam uma multa. Depois de um tempo falaram que não era para sair de casa por causa da quarentena, e quem fosse pego fora de casa eu não lembro o que acontecia porque eu já tava fora da China. A empresa dos meus pais pediu para a gente voltar para o Brasil porque a situação aqui estava ficando bem ruim. Então voltamos e ficamos no Brasil até a orientação da empresa para voltar.

 

Portal: A partir de que momento o governo passou a tomar medidas mais drásticas para impedir o avanço da doença? E como os cidadãos lidaram com isso? 

 

Giovanna: A partir do momento que fechou Wuhan. Em seguida fecharam algumas estradas e tivemos que começar a usar máscara. As pessoas ficaram um pouco assustadas, mas todo mundo respeitava o que o governo falava. Pelo que percebi, o governo chinês deu uma segurada em algumas informações tentando deixar as pessoas mais calmas e não divulgando muito sobre a doença no começo. Só começaram a divulgar realmente quando já estava bem ruim, então as pessoas estavam assustadas, e por exemplo quando a gente andava de metrô era sempre bem afastado dos outros, qualquer um que tossia chamava muita atenção. 

 

Portal: Como foi estar no primeiro país a registrar casos da doença? 

 

Giovanna: Eu realmente não fui a que ficou mais assustada na família. Acho que foi minha mãe, ela que me fez pensar sobre meus parentes. Exatamente pelo fato de ter sido na época que eu cheguei aqui, a gente descobriu sobre o vírus, voltou pro Brasil e ficamos lá até melhorar. 

 

Portal: Como está funcionando o sistema de ensino no país?

 

Giovanna: A minha escola começou a dar aula online logo depois do ano novo chinês, que são duas semanas de recesso. Eu estou até agora tendo aula pelo computador, e eu acho que minhas aulas não vão voltar até o próximo semestre. As escolas chinesas já voltaram, mas as escolas internacionais ainda não vão voltar porque tem muita gente fora da China, a fronteira está fechada e pouquíssima gente está conseguindo voltar.

 

Portal: Após o decreto da quarentena, com que frequência você passou a sair de casa?

 

Giovanna: A gente ficou uns 15 dias sem sair de casa. Farmácias ficaram abertas, mas o atendimento era feito por uma janela do lado de fora, as grades para entrada estavam fechadas. Além das farmácias, só o mercado também estava aberto, mas só podíamos sair de casa com máscara. O governo chinês estava distribuindo algumas por dia para cada família.

 

Portal: Como foi ficar longe do resto da sua família em um momento tão frágil?

 

Giovanna: Foi bem ruim, pois eu fiquei assustada e com medo do vírus chegar neles (no Brasil) e isso seria ruim porque eu sei que no lá não tem esse negócio de respeitar. Por exemplo, agora no Brasil vocês estão de quarentena e tem muita gente que não está respeitando e está saindo de casa, e isso aumenta as chances de se infectar.

 

Portal: Você ou algum conhecido chegou a realizar o teste para o coronavírus?

 

Giovanna: Sim, eu e minha família realizamos  – minha mãe, meu pai e meu irmão – e é um teste desconfortável de se fazer porque vem uma pessoa com dois cotonetes “gigantes” e um vai na sua garganta para pegar resíduos e outro dentro do nariz. É horrível, eu fiquei com o nariz doendo por muito tempo e o nariz da minha mãe ficou sangrando por uma semana.

 

Portal: Depois de três meses, como está a situação do país em relação à doença?

 

Giovanna: Está mais tranquilo, as coisas estão voltando ao normal. Só as escolas internacionais estão paradas, mas muitos dos brasileiros que moravam aqui voltaram para o Brasil e não conseguem voltar. Eles trabalhavam para alguma lojinha ou empresa pequena que acabou fechando por causa do vírus e não vai conseguir abrir de novo por causa da economia.

 

Portal: Você tem medo de acontecer um novo surto da doença no país? 

 

Giovanna: Mais ou menos, porque eu já sei agora o que devemos fazer para nos mantermos seguros e eu sei que o governo daqui conseguiria controlar a situação igual fizeram antes. 

 

Reportagem: Anna Miranda, Camila Hucs, Felipe Roza, Francisco da Silveira, Gabriela Leonardi, Gustavo Vieira, João Pedro Camero, Yan Lacerda.

Supervisão: Matheus Pardellas

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