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O setor da moda e a exclusão da terceira idade

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A moda é um dos setores que mais movimenta dinheiro no país, mas a produção das peças é quase que exclusivamente focada nos jovens. Segundo um dado do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Cliente), das 36 milhões de pessoas acima de 60 anos na população brasileira, 34% sente falta desses produtos quando vão às compras. 

A divergência dos setores de moda ao redor do mundo é muito evidente. No Brasil, os mais velhos não são considerados público-alvo e não existem nichos de consumos específicos para essa faixa etária. Já em outros países, como os Estados Unidos, as lojas possuem provadores com barras de segurança e etiquetas maiores para que os idosos leiam com mais facilidade.

Para esse mercado, a velhice é de certa forma “invisível” e há uma carência até mesmo em relação à propagandas de roupas voltadas ao público mais maduro. Lilyan Berlim, professora de Moda na ESPM Rio, explica que esse universo não inclui a terceira idade: “Eu não vejo a moda reconhecer o mais velho como sujeito e como portador de um estilo”.

As roupas direcionadas aos idosos são restritas, como se os responsáveis pela criação de modelagens quisessem ofuscar esse grupo em relação aos outros, principalmente com cores que também contribuem para isso. “O que essas marcas fazem é impor uma roupa sóbria, uma roupa com adaptações relacionadas a descrição sobre a idade, cortes que disfarçam as marcas do tempo. Aí tem um problema sério, quem disse que o mais velho precisa disfarçar marcas do tempo?”, completa Lilyan.

Mesmo com a exclusão, os idosos conseguem fazer o próprio estilo e encontrar lojas que se adequem ao seu gosto. Para Denise Imbrionise, de 75 anos, esse cenário não é um problema, “A gente hoje não vê realmente moda para a terceira idade, mas isso não me aborrece porque eu sou muito vaidosa e eu sempre acho uma moda estilosa e sensual pra minha idade”, conta.

Neusa Maria dos Anjos, de 81 anos, demonstra que independente da idade, o importante é se sentir bem na própria pele, sem se prender ao molde esperado: “Hoje em dia eu não posso mais botar a barriga de fora como eu botava nos anos 70, mas não me prendo a estilos e nem temporalidade. Você é que faz a sua moda, você tem que ser livre. Você veste o que você quiser, usa o que quiser usar, na hora que quiser”.

Matéria: Fabiano Cruz, Luciana Campos e Thaís Soares

Supervisão: Brenda Barros e Lucas Guimarães

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2 Comentários

  1. Carol 14 de abril de 2022

    Muito bom! acredito que seja algo que nem passe pela cabeça da pessoas!! adorei

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  2. Rodrigo Amaral 15 de abril de 2022

    Matéria super adequada, e espero que alerte aos produtores de moda sobre este nicho que cresce mais a cada dia. Diante do envelhecimento cada vez mais saudável da população, nós seres humanos queremos viver a vida cada vez mais, e ficar bonito na moda faz todo sentido. Mas não queremos nos vestir de forma ultrapassada, com modelos de roupas de 30 anos atrás, e sim ficarmos elegantes, confortáveis e modernos.

    Responder

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