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A retomada teatral em meio aos protocolos sanitários

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Em março de 2020, o público foi impedido de ir ao teatro como medida de prevenção ao Covid-19. Com isso, camarins foram trancados, palcos se esvaziaram e os artistas ficaram ansiosos por se encontrarem novamente com a plateia. Mas, na última semana, essa espera se encerrou. O teatro musical começa a sua retomada em meio a um aumento no número de casos devido a variante Delta, o que levou as produções a redobrar os cuidados, tanto na sala de espetáculos como nos bastidores.

O retorno do teatro musical está se concentrando, a princípio, na cidade de São Paulo. Lá, o público tem a oportunidade de assistir a dois espetáculos da Broadway. No primeiro deles, Cinderella ganha os palcos com a clássica história da gata borralheira, mas agora, eco de pautas que estão muito presentes na sociedade atual, como a desigualdade, se fazem presentes em cena. Já no segundo, a história de Donna Summer, considerada por muitos a rainha da Disco Music, é contada com auxílio de 26 atores e cerca de 50 profissionais nos bastidores que, durante o período de isolamento social, estavam sem nenhuma fonte de renda.  

Enquanto os espectadores são orientados a usarem máscaras, os atores são submetidos a testes semanais para que haja maior segurança nos bastidores e no palco. A atriz e cantora Gottscha, que volta aos musicais como a madrasta de Cinderella, afirma que esse é um movimento de consciência coletiva por parte dos envolvidos onde o respeito ao próximo e aos colegas é essencial para que o espetáculo aconteça nesse momento tão complexo.

O público demonstra vontade de aderir a essa retomada. Os poucos espetáculos musicais que já retornaram suas temporadas foram recepcionados por plateias saudosas da experiência teatral. “Talvez isso seja uma salvação para toda essa loucura que a gente passou.” comenta a atriz, que também acredita que o movimento deve se manter, pois o público vai se sentir protegido devido ao avanço da vacinação e por todas as precauções adotadas.

A produtora cultural Gheu Tibério compartilha de uma visão parecida. Para ela, os eventos presenciais vão ser mais valorizados e as pessoas vão estar presentes, apesar do aumento do preço dos ingressos a fim de acomodar os ajustes feitos nos teatros. 

Todas essas mudanças causaram forte impacto nos orçamentos. Máscaras e testes agora fazem parte do dia a dia de muitas equipes. A produtora Thay Lablois comenta que, na contramão, os decretos intermunicipais limitaram as capacidades das platéias a menos da metade, dificultando o custeio desses projetos. “Sem patrocínio e dependendo exclusivamente da venda de ingresso, ainda é difícil você conseguir custear a realização de um projeto. Seja digital, presencial ou híbrido.”

As empresas brasileiras sempre tiveram grande importância no apoio ao setor teatral. A pandemia causou cortes no orçamento e o governo federal fez mudanças na lei de incentivo. Ainda assim, Gheu acredita que o ritmo de apoios deve ser mantido. “Quem investia vai continuar a investir.”, relatou. 

Por: Pedro Ribeiro 

Supervisão: Gabriela Leonardi e Brenda Barros 

 

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