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A paralisação da UFRJ e suas consequências

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A Universidade Federal do Rio de Janeiro, uma das instituições de ensino mais tradicionais do Brasil, pode fechar temporariamente as portas em julho deste ano por conta de uma grave crise financeira. De acordo com informações divulgadas pela própria UFRJ, o orçamento da universidade vem diminuindo desde 2012, e os cortes já somam mais de R$ 470 milhões. A reitoria da escola superior anunciou que não possui mais condições financeiras de arcar com os gastos relacionados às áreas de segurança, limpeza, eletricidade e água. 

Mesmo que as faculdades federais tenham mais do dobro de alunos de dezessete anos atrás, a verba disponível para investimentos e manutenção em 2021 caiu para o mesmo patamar de 2004. Tomás Pinho, estudante de Engenharia Química na UFRJ, afirma que o cenário é devastador. “Sabemos o quanto ela contribui para a formação de profissionais de excelência no mercado de trabalho e para diversas áreas da sociedade brasileira. Como um berço para o desenvolvimento de pesquisas e de conhecimento científico”. Ele conclui dizendo que tudo isso é um ataque à educação pública, com propósito político.  

Nanci Garden, professora associada do Instituto de Química da UFRJ, afirma acreditar que quanto maior a quantidade de alunos nas universidades públicas, melhor é para o país. Por outro lado, ela lamenta que o governo não apoie a melhora da infraestrutura. “Este grande aumento do número de estudantes foi sim feito de forma desordenada e, infelizmente, virou um problema crescente sem o apoio do governo”, opina a professora. 

O fechamento da instituição significa não só a suspensão das atividades estudantis, mas também a paralisação de pesquisas de vacinas brasileiras, dentre elas, um dos quatro projetos nacionais mais avançados de imunizante contra a Covid-19. Além disso, treze museus, quarenta e cinco bibliotecas e nove hospitais universitários e unidades de saúde dependem da manutenção do orçamento da universidade. 

Os alunos estão frustrados com o provável encerramento das atividades, como é o caso de Raphael Staude, estudante de engenharia de alimentos. Ele não esperava o possível fechamento e considera essa circunstância um descaso com alunos e professores. Tendo em vista o corte de verbas, Raphael complementa: “É extremamente decepcionante, pois é uma situação de fácil compreensão e resolução”. Luiz Zulmar, aluno de engenharia mecânica, também se refere ao financeiro: “Um dos meus principais sentimentos é de indignação, visto o cenário de consecutivos cortes durante anos. Esse sucateamento terá como resultado o encerramento de diversas pesquisas, incluindo de duas promissoras vacinas contra o coronavírus”.

Luiz faz parte da MinervaBots, equipe de robótica da faculdade; ele diz que, como aluno, sempre teve vários sonhos que a UFRJ proporcionou com diversas oportunidades dadas, sendo a Minerva uma delas. Agora, com esse possível fechamento, as equipes de competições, monitorias, iniciações científicas, empresas juniores e outras várias atividades poderão ser suspensas. “A faculdade e o estado do Rio perderão futuros engenheiros, artistas, professores, designers, jornalistas, profissionais da saúde, e deixarão um hiato profissional no meio trabalhista que afetará a economia brasileira de forma intensa”, completa. 

De acordo com Alexandre Fortes, que foi pró-reitor da UFRRJ no período de 2017 até abril de 2021, o alerta dado pela UFRJ é fundamental, mesmo para as instituições que tenham margem para operar por mais meses. Alexandre afirma ser um contrassenso discutir o risco de paralisar as atividades da maior universidade federal do país, ressaltando que “fica evidente o papel da ciência, não apenas para o desenvolvimento do Brasil, mas para a própria sobrevivência da humanidade diante de desafios como a emergência de novas pandemias e o aquecimento global”.

Mesmo diante do cenário preocupante, os alunos seguem lutando contra o sucateamento da universidade. Liderados pelo Diretório Central dos Alunos, movimentos e protestos estão sendo organizados por meio das redes sociais. Esta é a maneira que estudantes, funcionários e defensores do ensino público de qualidade encontraram para reivindicar seus direitos. Na internet, as manifestações de pressão ao Governo Federal ultrapassam os limites do estado do Rio de Janeiro e se estendem por todo o Brasil, mostrando que enquanto houver educação, haverá união e resistência.

 

Reportagem: Ana Beatriz Miranda, Beatriz Chagas, Brenda Barros, Guilherme Rezende, Gustavo Vieira, Isabela Garz, João Manoel Morais, João Pedro Fonseca e Mateus Rizzo

Supervisão: Camila Hucs, Gabriela Leonardi e Paola Burlamaqui

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