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A coragem em tempo de pandemia

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O dia 6 de maio é conhecido como o Dia da Coragem, e em meio a pandemia, esse conceito ganha um novo significado. Trabalhar se tornou um ato de coragem, com as medidas de prevenção só os trabalhadores essenciais seguem cumprindo suas funções fora de casa, médicos, enfermeiros, funcionários de transporte e algumas poucas exceções. 

Serviços rotineiros ficaram cada vez mais necessários durante a quarentena. Com o número de casos do coronavírus passando dos 8000 no Brasil, os médicos estão sendo mais importantes do que nunca e a consciência de quem precisa ir ao hospital tornou-se muito necessária. Segundo a médica residente Renata Martinho, foi preciso uma pandemia para as pessoas entenderem o significado de ir à uma emergência. “Fora da pandemia, o atendimento era o dia inteiro lotado com causas ambulatoriais e não necessárias do atendimento emergencial. Nossa demanda na UPA, antes era por causas que deveriam ser tratadas em um postinho perto de casa ou em unidades básicas de saúde.”

A situação nos hospitais é crítica, o estado do Rio é o segundo com mais casos, atrás apenas de São Paulo. “A ocupação dos CTIs é sempre máxima”, diz Renata. Na cidade de Petrópolis, onde a médica trabalha, são raros os momentos em que os leitos estão vagos, e com a chegada da pandemia, a situação se manteve com todos eles sendo destinados para pessoas com coronavírus. Para se proteger contra uma possível contaminação, além da lavagem das mãos, os equipamentos de proteção individual estão sendo entregues, mas não com a qualidade necessária. “Conseguimos trocar A máscara cirúrgica várias vezes ao dia, mas a máscara N95, que tem filtro contra as partículas virais, a gente recebe uma que tem que durar por sete plantões. E no final deles temos que devolver a máscara com o nosso nome para ela ser guardada na farmácia”. 

Renata que está formada há cinco meses, encontra com a mãe apenas a distância, para evitar qualquer risco de contaminação. A convivência normal que tinha antes com a família durante os finais de semana, também foi cortada para prevenir principalmente a irmã que é diabética e a mãe que é hipertensa, ambas fazem parte do grupo de risco. “Não tenho contato com eles, no máximo eu tenho que ir em casa buscar alguma coisa para levar para o Rio. Encontro com a minha mãe a distância na portaria, bem distantes, a gente não tem contato.” 

Passando por situações bem semelhantes, mas com mais tempo na profissão, a médica Maria Graça Soares, que trabalha no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), relata que quase todos os seus colegas de trabalho estão muito assustados e com medo. Segundo ela, a volta às atividades não essenciais não é a melhor opção, visto que não tem estrutura o suficiente para atender a uma demanda maior de pacientes. “Enquanto se trabalha para ampliar a capacidade de receber os que certamente vão adoecer, muitos já precisam de unidades intensivas com equipes preparadas”, declarou a pediatra.

A médica de 71 anos conta que, apesar de ser grupo de risco pela sua idade, não tem nenhuma doença crônica. Além disso, a sua decisão de continuar trabalhando, já que não houve afastamento obrigatório de idosos, também foi influenciada pelos desfalques causados nas equipes e pela falta que sua ausência causaria. “Compromisso é uma atitude que me foi ensinada pelos meus avós e pais”, conclui. 

Mesmo com toda a coragem e compromisso que os profissionais essenciais estão tendo, o contato direto com os contaminados é inevitável. O Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) já conta com o falecimento de 3 funcionários e o contágio de muitos outros. Com toda essa situação e os casos presentes no hospital, a médica também declarou como está se precavendo para não se contaminar. O uso de máscaras, óculos e capote é indispensável nesse momento. 

Mas não só os médicos continuam tendo coragem durante a pandemia. Entrevistamos Pedro Wirtzbiki, funcionário da CCR Barcas, para explicar como está a situação de um dos transportes mais importantes que liga o Rio de Janeiro a Niterói, e que continua funcionando mesmo com a quarentena decretada. Questões como a redução da frota das barcas, a superlotação no transporte, e os cuidados para se prevenir no trabalho, são alguns dos tópicos abordados no vídeo em que ele conta a respeito do transporte.

Reportagem: Ana Júlia Oliveira, Carolina Mie, João Medina, João Pedro Camero, Felipe Rinaldi e Pedro Cardoso

Supervisão: Mariana Colpas e Patrick Garrido

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